terça-feira, 18 de dezembro de 2012

1808: A vinda da Corte Portuguesa para o Brasil e as principais abordagens da Historiografia


Para falarmos da vinda da corte portuguesa para o Brasil precisamos definir alguns conceitos que acabaram em conflitos em 1808.


A primeira dimensão de tudo isso foi marcado por um acontecimento importante para o Brasil, Napoleão que se elegeu por conta própria Imperador Francês dominando quase toda a Europa invadindo com seu exercito e derrubando monarquias, e impondo em  1806 ele impondo um bloqueio, denominado bloqueio Continental.
Neste período Inglaterra e França estavam envolvidas em uma aliança de competição, sendo que, Portugal estava aliado à Inglaterra e a Espanha aliada à França.
Portugal passou a perder a sua hegemonia e a depender de empréstimos da Inglaterra e da Holanda. Estando atrasado economicamente e vivendo de empréstimos não tendo como se expandir pela Europa; e com a invasão de Napoleão, houve um aumento da crise da corte portuguesa, que planejava fugir para América.
Esta fuga tratava-se de uma ideia antiga que foi colocada em pratica pela corte em que toda uma marinha e a própria corte se deslocou para o Brasil numa viagem longa e difícil com a ajuda da Inglaterra.
A corte, ao mudar sua sede para o Brasil trouxe tudo o que era possível, como por exemplo, documentos importantes, baús com obras de arte, louças e tudo que pertencia à administração portuguesa.
Esta transferencia trouxe mudanças para o Rio de Janeiro que abriu as porta para a chegada da corte que transformando se na capital do Império Português denominado como Império Luso Brasileiro. Um dos primeiros decretos assinado por Dom João foi à abertura dos portos favorecendo a Inglaterra em seus interesses de expansão comercial, já que com o bloqueio continental imposto por Napoleão dificultou suas relações comerciais dentro da Europa; esta foi uma saída encontrada pelos ingleses de conseguir reverter à situação garantindo a abertura de comércios em outros lugares, como no caso, o Brasil.
Enquanto a corte se instalava no Brasil; Napoleão Bonaparte invadia a Áustria, Rússia e Portugal, porém com a fuga, a corte portuguesa manteve se a salvo no Rio de Janeiro.
Diante desta situação vivida em Portugal o Brasil passa a ser a Sede Marítima do império Português onde as decisões começaram as ser tomadas a partir do novo governo que se instalara no Rio de Janeiro.
O conflito da Europa teve profundas repercussões entre colônias latinas influenciadas pelo exemplo dos colonos norte - americanos e pela derrubada do absolutismo na França. Desse modo, as colônias, a começar pelo Haiti, e mais tarde as colônias espanholas iniciaram o processo de independentista. A situação de Portugal nesse contexto era delicada. Como tradicional aliado da Inglaterra, não poderia deixar de atender os interesses ingleses. Por outro lado, Portugal não podia se colocar como inimigo declarado da França que possuía o maior exército da Europa contra o qual quase nada poderia fazer. A solução foi procurar uma posição de neutralidade. A França não aceitava essa situação, pois a neutralidade de Portugal possibilitava a venda de produtos ingleses nos portos portugueses, que era um desejo da Inglaterra, de ter acesso ao mercado brasileiro e ao rico mercado da platina. E com a decisão francesa de invadir Portugal resultou na transferência da corte com cerca de quinze mil pessoas entre nobres e serviçais, transferência esta, que permitiu a continuidade do poder nas mãos da casa de Bragança, eles embarcaram em navios ingleses em novembro de 1807, chegando ao Brasil em 1808, e com isso tornou possível o desejo tão cobiçado pelos ingleses.
D. João até então príncipe regente, chegando ao Brasil assinou uma carta regia abrindo os portos brasileiros as nações amigas. Isso significava que a Inglaterra poderia negociar diretamente seus produtos no Brasil, eliminando com isso o Pacto Colonial. Outra medida importante foi o alvará de 1º de abril de 1808 que permitiu a implantação de manufaturas na colônia. Com essa medida D. João acreditava que houvesse um desenvolvimento manufatureiro capaz de competir com a Inglaterra à liberdade de comercio. Mas essa medida adotada não foi capaz de concorrer com a produção inglesa, em plena Revolução Industrial. Alem do que a Inglaterra impôs um tratado de defesa e de comercio em 1810 com Portugal no qual os produtos ingleses entrariam no Brasil pagando menos impostos que outro país até mesmo em relação a Portugal. Se as mercadorias importadas por um lado arruinavam as empresas manufatureiras brasileiras por outro elas beneficiavam no final o consumidor.
Ainda durante o governo de D. João um tratado foi firmado com a Inglaterra no qual o Brasil se comprometia a extinguir o comercio de escravos. Esse tratado nunca foi executado por dois fatores; um porque a elite agrária necessitava da mão – de – obra escrava para a lavoura, e outro porque havia os interesses dos comerciantes de escravos que se opunham a qualquer modificação no comercio de escravos, pois tinham lucros enormes. Esse tratado e a difícil posição de D. João não permitiram nenhuma possibilidade de desenvolvimento manufatureiro no Brasil. 
A transferência da corte e a instalação de milhares de pessoas no Rio de Janeiro alteraram e muito a vida da colônia, e foi necessário criar uma nova estrutura administrativa no Brasil. Para isso foi implantada uma Imprensa Regia e o Banco do Brasil de fundamental importância para que o governo tivesse condições de pagar suas contas. Foram construídos novos prédios públicos e uma biblioteca regia o jardim botânico e a academia de belas – artes e algumas escolas superiores, ordens também foram dadas em 1809 para invadir Caiena e em 1811 a Província da Cisplatina como represália contra França e Espanha. O outro lado dessas ações de D. João foi o aumento da opressão fiscal devido à necessidade de conseguir dinheiro para cobrir as crescentes despesas do governo português,
Em 1815 o Brasil deixou formalmente de ser colônia de Portugal. Em dezembro desse mesmo ano foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal. Essa medida foi tomada porque D. João necessitava mandar representantes ao congresso de Viena que reorganizava o mapa europeu depois da derrota de Napoleão Bonaparte.
Essa medida e a insistência do agora rei D. João VI de permanecer no Brasil, significavam que Portugal era na pratica governado pelo embaixador inglês. Tal fato prejudicava em muito a burguesia portuguesa que desejava recolonizar o Brasil, único mercado disponível para os comerciantes lusos. O descontentamento da burguesia e de oficias do exercito português resultaram na chamada Revolução do Porto em agosto de 1820.
Essa revolução tinha dois objetivos: o fim do absolutismo e a recolonização do Brasil. Portanto, se na esfera política ela tinha um caráter liberal, no que diz respeito à economia ela era mercantilista, pois defendia a volta do pacto colonial, e para isso, exigiam o imediato retorno de D. João VI para Portugal, para novamente ter o monopólio do comercio, pois com a transferência da sede do império, o Rio de Janeiro foi transformado no principal porto da America do Sul. Com um movimento muito alto de navios, diminuindo assim o preço dos importados acentuadamente e prejudicando muito Portugal.
Para Maxwell a vinda da corte portuguesa ao Brasil, foi à maneira que possibilitou a continuidade do reinado Português, eles saem da metrópole que era em Portugal e se instalam em uma de suas colônias que era o Brasil, assim evitaram perder o poder para Napoleão e a monarquia portuguesa perseverou.
O processo de emancipação política no Brasil foi um processo lento, mas contínuo. Partimos da ideia que ele começa em 1808 com um plano ousado e nunca antes utilizado, que foi a transferência da corte portuguesa para uma das suas colônias.
O ponto mais importante é quando D. João VI declara a abertura dos portos brasileiros, isso vai causar um grande impacto na Europa, vai ser bom para alguns e péssimo para a França, dois anos depois em 1810, o Brasil assinará tratados de comércio e navegação, de aliança e amizade com a Inglaterra que acarretará em aberturas de indústrias como a de ferro, fazendo crescer a economia e o desenvolvimento do país; mas nem tudo é como desejam os Luso-Brasileiros, pois, a Inglaterra exigirá o fim da escravidão. O país começa a tomar forma como os países europeus, é construída em 1811 a academia militar, membros da ordem maçônica começam a abrir lojas no Brasil, em 1815 o país começa a utilizar maquinários modernos como o engenho a vapor.
Nesse cenário parece que tudo está correto, que todos estão satisfeitos com o rumo que o país está trilhando, mas não é bem assim, em 1817 eclode a revolução pernambucana, em 1820 chega notícias da revolução do Porto, à qual findará com o retorno do Rei D. João VI a Portugal em 1821, ou seja, o nosso processo de emancipação política foi turbulento, contínuo, dentro de um contexto histórico repleto de mudanças e evoluções.

1 comentários:

  1. o texto poderia ser menor mas estao de parabens pq é mt bem explicado

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